Resumo: Pensar sobre condições de vida e saúde de comunidades quilombolas no cenário brasileiro exige uma aproximação crítica entre o processo de formação sócio-histórica dessas comunidades e o perfil epidemiológico e seus determinantes sociais. Em um contexto como o brasileiro, marcado pelo racismo estrutural, é de se esperar que a população negra seja a mais afetada pelas desigualdades de acesso à rede de atenção à saúde, que se agravam por conta da vulnerabilidade social e institucional. Ademais, chama especial atenção a situação de vulnerabilidade social e epidemiológica das comunidades quilombolas, que agregam grupos cujas especificidades e demarcações culturais e de identidade étnica as diferenciam dos demais segmentos da sociedade. Garantir a saúde e compreender os aspectos relacionados a esta neste grupo de indivíduos, além de ser um dever do Estado é um eixo estratégico para a superação do racismo e garantia de promoção da igualdade racial, desenvolvimento e fortalecimento da democracia, o que nos impulsiona a aprofundar as análises acerca das populações quilombolas focando nas interações entre o racismo estrutural, o modelo de desenvolvimento e a vulnerabilidade social dessas comunidades. Dito isso, essa mesa tem como objetivo discutir as condições de vida e saúde em comunidades quilombolas da Bahia à luz dos determinantes sociais das condições de saúde, incluindo as características sociodemográficas, as condições de trabalho, renda e escolaridade, as condições ambientais e sanitárias do território, o acesso às políticas públicas (a exemplo dos benefícios sociais), bem como as estratégias locais de promoção da saúde. Espera-se contribuir para a ampliação do debate no campo da saúde, reconhecendo-a de forma transdisciplinar, como um direito de cidadania e que envolve uma luta antirracista.
Quilombolas;determinantes sociais da saúde