Resumo: Para mulheres negras, por muito tempo, a moda foi um meio de constituição de nós mesmas, elaborada a partir de recursos materiais e imateriais, para concretização dos padrões integrados aos parâmetros da passabilidade branca, como uma forma de amoldamento estratégico aos padrões impostos pela violência racista. Na atualidade, juntamente com as políticas públicas de ação afirmativa e a ampliação dos debates sobre raça e racismo na sociedade brasileira, a moda nos serve como um importante espaço de produção discursiva, pois passa também a ser compreendida como campo de ativismo, significante das práticas sociais e consequentemente das relações de poder vigentes, sendo assim, passível de expressão de afirmação identitária. O conceito criado pela Artista e Pesquisadora Carol Barreto, professora do Departamento de Estudos de Gênero e Feminismo – BEGD – FFCH – UFBA e com um trabalho internacional que já passou por mais de 10 cidades fora do Brasil, provoca reflexões sobre o modelo de produção de conhecimento científico que nos é ofertado no campo da educação para as artes e questiona como podemos, sob a perspectiva da Decolonialidade (CURIEL, 2010) elaborar melhores compreensões acerca da potência da nossa luta ativista por meio da artes, do design e de outros diversos campos da produção da aparência por meio das intelectualidades mental e manual.
Estudos de Gênero; Racismo; Moda