Resumo: Bertolt Brecht, homem de teatro, alemão, começou a publicar e encenar seus textos há cem anos. Naquele tempo, as imagens e os movimentos aprendiam a se reproduzir, em preto e branco, de modo analógico; os sons exploravam a radiotransmissão; e a atitude experimental estava em desvendar as então possibilidades combinatórias, veio aberto pela tecnologia, como nos teatros de variedades, que congregavam diferentes manifestações artísticas. O cenário político, não menos complexo, se dividia entre palcos comunistas e nazifascistas. Que as demandas de seu tempo e seu entorno lhe ofereceram mote para a criação, não há dúvidas. Pode causar espanto quando nós, que falamos do Brasil do século XXI, ciosos das nossas ainda incipientes conquistas emancipatórias, antirracistas, feministas e decoloniais, escolhemos nos ocupar com seus textos. Apesar de o espanto ser um ponto de partida brechtiano, explicamos: Brecht convida à discussão, seja porque compõe com demandas que ainda são nossas, seja porque desenvolve importantes ferramentas para a compreensão da dinâmica sócio-política e seu enfrentamento. Nessa mesa, vamos apresentar o resultado de discussões do grupo de pesquisa que compomos, com esse título e esse propósito e que começou seus trabalhos com a leitura da peça didática e radiofônica “Voo sobre o oceano” e com a coletânea de contos intitulada “Histórias do Senhor Keuner”, com a proposta de estabelecer diálogos entre esses textos, as questões e textos do nosso tempo e com isso, mostrar que Brecht é capaz de extrapolar as barreiras do tempo e fazer-se atual em nosso século.
Bertolt Brecht; Diálogos Contemporâneos; Efeito de Estranhamento;